Concluida Semana de Ação contra o Bloqueio em Washington DC, realizada pela Solidariedade com Cuba

A exitosa Terceira Jornada Anual contra o Bloqueio em Washington D.C., tem ajudado a “elevar uma nova consciência sobre o impacto do dano que 56 anos de bloqueio estadunidense provoca na saúde não só dos  cubanos, senão também dos  estadunidenses” assinalou Alicia Jrapko, coordenadora nos Estados Unidos do Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos  Povos, comitê organizador da semana de ações.

Não foi fácil. Ainda que o governo de Estados Unidos em última instância tenha liberado vistos  para que os convidados cubanos pudessem viajar a Washington para participar (com frequência  EE.UU denega tais vistos, ou os concede após  passados os eventos) o furacão Irma afetou a agenda das  viagens. Os organizadores viram-se  obrigados a cancelar e voltar a reservar várias vezes os voos e os alojamentos antes  que a delegação cubana, vencendo tantos obstáculos, finalmente aterrissasse em Washington DC através de Los Angeles  – a tempo  para participar em uma semana carregada de atividades.

O objetivo da jornada deste ano foi informar às pessoas que vivem nos Estados Unidos sobre o impacto real do bloqueio na saúde de grupos vulneráveis em ambos países. Os cubanos, não podem obter medicamentos necessários e importantes e tecnologia médica porque as empresas estadunidenses, incluindo subsidiarias no estrangeiro, não podem  vender a Cuba por  causa do bloqueio.

Ao mesmo tempo, aos  cidadãos estadunidenses nega-se-lhes   o direito de adquirir medicamentos desenvolvidos pela indústria farmacêutica cubana que podem salvar ou prolongar a vida, incluído medicamentos para o tratamento de diabetes e câncer de pulmão, também devido ao  bloqueio.

Com os estadunidenses nestes momentos envolvidos em  seu próprio debate sobre o futuro da saúde neste país, explicou Jrapko, “também queríamos mostrar às pessoas que há outro método melhor para  o cuidado de saúde. Apesar de Cuba ser um país pequeno e pobre, o Governo tem feito do cuidado com a  saúde um direito humano básico para todos os cubanos. O sistema centra-se na atenção primária e preventiva para que os pacientes sejam tratados como pessoas e não como mercadorias”

O Dr. Jesús Renó, professor, pesquisador e especialista em oncologia pediátrica, que é ainda  chefe de Pediatria  do Instituto Nacional de Oncologia  e Radiologia de Havana , chegou a Washington como membro da delegação cubana para explicar não só as dificuldades diárias impostas pelo bloqueio de Estados Unidos, senão também os sucessos sobre o enfoque cubano de saúde.

A ele  se  uniram  cinco estadunidenses recém graduados da conceituada Escola Latino-americana de Medicina (ELAM) em Cuba – Dra. Luzia Agudelo, Dr. Abraham Vai-a, Dr. Gregory Wilkinson, Dra. Mercedes Charles e Dr. David Lavender – que falaram eloquentemente sobre o que aprenderam sobre medicina, bem como sobre a vida quotidiana em Cuba durante seus sete anos de treinamento. Eles são parte dos 170 graduados estadunidenses da que hoje é a maior escola médica do mundo, com mais de 30.000 vindos de  mais de 100 países, sobretudo de países subdesenvolvidos. A escola é única na que os estudantes são capacitados de forma gratuita, só com o compromisso moral de regressar  a seus  lares após se  graduar e trabalhar em comunidades carentes de atenção de saúde em seus países.

Durante a semana, os médicos estadunidenses uniram-se  a ativistas  de diferentes partes de EE.UU como  também de Suécia  e Canadá, visitando mais de 40 gabinetes do Congresso para explicar com dados e de maneira fundamentada através de   sua própria experiência, o impacto negativo do bloqueio em ambos países, estimular os  senadores e congressistas a assinar uma série de legislações vigentes desenhadas para diminuir o impacto do bloqueio e  persuadi-los  para votar pelo fim do bloqueio.

Durante a jornada, os graduados da ELAM, junto com o doutor Renó e outros membros da delegação cubana, Leima Martinez Freire da Direção de America do Norte do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e Yoandrys Ruiz, Primeiro Secretário da União de Jovens Comunista da província de Camagüey , falaram em nove eventos diferentes, sete deles  em Washington e dois em Maryland.

Na segunda-feira 11 de setembro, após  um dia de sessões informativas e oficinas para preparar para a semana de visitação ao Congresso, os doutores Renó, Wilkinson e Agudelo, como  também Martínez de ICAP, subiram ao palco de Busboys  and Poets da cidade de Takoma  para um animado intercâmbio frente a uma sala cheia de espectadores.

Na terça-feira, a cena mudou para uma apresentação na Universidade Americana onde Joe Cassidy do Sindicato Nacional de Enfermeiros se uniu ao painel para falar sobre o que os estadunidenses poderiam aprender de Cuba sobre o cuidado de saúde. A apresentação foi moderada por Heidi Hoechst, do Sindicato Nacional de Enfermeiros. Por sua vez  Martínez disse  à grande audiência de estudantes e profissionais de  saúde que os cubanos “sempre agradecem a nossos  amigos norte-americanos por tudo o que fazem para tratar de aliviar o impacto do bloqueio na saúde dos  cubanos, mas a verdadeira mudança não ocorrerá até que o Congresso de Estados Unidos finalmente termine o fracassado bloqueio para Cuba”. E essa possibilidade só chegará quando os legisladores sintam a pressão  para  fazê-lo. Dali a delegação se dirigiu  para a  Universidade de Maryland, Colégio Park para a segunda apresentação do dia.

Congressista Barbara Lee surpreendida ao escutar ao Dr. Reno explicar como o bloqueio a Cuba impossibilita conseguir peças para equipamentos médicos.

Na quarta-feira à noite, dentro da Universidade de Howard, a sala ficou  pequena ante uma multidão que ocupou todos os assentos disponíveis e os demais tiveram que presenciar o evento de pé. A audiência irrompeu em aplausos prolongados e entusiastas quando Miguel Fraga, o Primeiro Secretário da Embaixada de Cuba em Washington DC, realizou uma apaixonada defesa da soberania de Cuba e seu direito à autodeterminação. Ele respondia a uma pergunta da audiência durante um animado debate de duas horas e o intercâmbio de ideias moderado por Netfa  Freeman, o coordenador de eventos do Instituto de Estudos Políticos e programador de Vozes com Vision da rádio WFW 89.3 FM.

Estudantes de Howard University aprenderam sobre as realidades do bloqueio

N a quinta-feira, cerca de 200 pessoas chegaram à igreja Batista O Calvario em Washington para escutar o Embaixador  de Cuba nos Estados Unidos, José Ramón Cabañas, bem como  um painel de discussão sobre como os americanos podem aprender sobre o seguro de saúde gratuito e universal com  um enfoque humanista. O programa começou com  um número musical por parte de Crank  LuKongo. Em seguida, Stephen Frum, representante do Sindicato Nacional de Enfermeiros leu uma mensagem de solidariedade. O programa continuou com  um painel moderado pelo professor e pesquisador canadense Stephen Kimber. Entre os expositores  encontravam-se  o Dr. Reno, Leima Martínez, dois graduados da ELAM, e Maragaret Flowers, co-diretora de Resistência Popular.

Na sexta-feira, uma vez mais, outro espaço cheio de estudantes, alguns deles  da Escola de Medicina na Universidade de Georgetown se reuniram para escutarão Dr. Renó e os graduados da ELAM compartilharem suas experiências em  primeira  mão sobre as formas como  se ensina a medicina na ELAM e se pratica em Cuba. Desafiaram os  estudantes a pensar para além  do sistema de saúde por lucros  deste país com o qual  cedo se enfrentarão.

Dois eventos também na sala cheia com  a mostra de “Te atreve a Sonhar “, um poderoso documentário sobre a ELAM realizado pela cineasta Jennifer Wager, pôs fim à semana de atividades na sexta-feira e no sábado em Washington e Maryland respectivamente.

A maioria das  apresentações e eventos foram filmados  e postados na página de Facebook  do Comitê Internacional contribuindo a multiplicar a quantidade de pessoas que puderam ver as diferentes apresentações. Mas de 3.600 pessoas viram os vídeos através da página de FB, dos quais  2000 seguiram o evento na Igreja Batista O Calvario. Os números não incluem as pessoas que compartilharam ditos vídeos com seus amigos.

Descrevendo a Jornada como um grande sucesso, mas reconhecendo que ainda há muito trabalho pela frente , Jrapko concluiu: “queremos expressar nosso agradecimento a todos os amigos da solidariedade que entenderam o que significa organizar uma Jornada como a de Washington, e ajudaram com  a logística de última hora em Los Angeles  e também a quem  fez  doações através dos  Estados Unidos, Canadá e Europa.”

A Terceira Jornada contra o Bloqueio foi organizada pelo Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos  Povos com  a colaboração do Instituto de Estudos Políticos e endossado por mais de uma dúzia de grupos de Estados Unidos, incluindo o Sindicato Nacional de Enfermeiros, a maior associação de enfermeiros registrados nos Estados Unidos, a Associação de Enfermeiros do Estado de Nova York, Cuidado de Saúde-NOW, Associados pel a Saúde Global, Saúde sobre Ganhos para Todos, Cuidado de Saúde Revolução, IFCO/Pastores por   a Paz, Clínica Martin-Baro, Campanha Trabalhista por Seguro Universal, Projeto Nascimento EE.UU., Ação Comunitária Pan-África, Coalizão Não Fazer Dano, Organização Mundial pelo Direito dos  Povos à Saúde, Rede Nacional de Solidariedade com Cuba (NNOC), o Grupo de Trabalho para América Latina e a Rádio WPFW de Washington DC.

http://theinternationalcommittee.org/activists-take-end-the-blockade-message-to-washington-dc-show-solidarity-with-cuba/

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