Medidas de EUA, novo golpe às relações com Cuba

Washington, 4 out (Prensa Latina) As medidas adotadas pelos Estados Unidos como resposta a incidentes reportados por seus diplomatas em Cuba causam alerta hoje entre o que consideram erradas as ações de Washington ou advertem sobre seu impacto na normalização das relações.
O Departamento de Estado ordenou ontem a expulsão de 15 servidores públicos cubanos da embaixada da ilha nesta capital, só quatro dias após anunciar a retirada de mais da metade do pessoal de sua sede diplomática em Cuba.

Tais ações respondem a que membros do serviço exterior norte-americano reportaram problemas de saúde em Havana, aos que Washington qualificou de ataques, apesar de se desconhecer que ou como foram causados esses sintomas, quando as investigações ao respeito seguem em curso.

O senador democrata Ben Cardin (Maryland) expressou em um comunicado sua preocupação ante a possibilidade de que este assunto possa agudizar as tensões diplomáticas e complicar a capacidade para levar a cabo uma investigação exaustiva de tais fatos.

Para o legislador, Estados Unidos não deveria tomar medidas que pudessem socavar as relações bilaterais com Cuba e as políticas estadunidenses encaminhadas a promover interesses estratégicos nacionais no hemisfério.

Nesse sentido, chamou à administração e ao Departamento de Estado a consultar com o Congresso antes de tomar novas medidas, e afirmou que uma reunião informativa prevista para esta manhã no Comitê de Relações Exteriores do Senado devia proporcionar aos membros um claro entendimento do assunto.

Por sua vez, o também senador democrata Patrick Leahy (Vermont) manifestou que sua nação tem o direito e o dever de proteger aos diplomatas estadunidenses que servem no exterior.

No entanto, sustentou que antes de tomar represálias contra outro país expulsando a seus diplomatas, ‘deveríamos ter provas de que eles, e não um terceiro país ou partido, danificaram nossos cidadãos’.

Não sabemos quem está fazendo isto ou por que, mas estamos castigando aos cubanos por não o impedir. Isso não ajudará a resolver o mistério desta séria ofensa, e não fará que nossos diplomatas estejam mais seguros’, considerou o legislador.

Leahy recordou que os vínculos entre ambas as nações estão ‘nas primeiras etapas’ na maioria dos assuntos, e reconheceu que ‘o governo cubano mostrou uma vontade de discutir preocupações que não se tinham abordado antes’.

Para a congressista do partido azul Barbara Lee (Califórnia), o governo de Donald Trump utiliza o tema dos diplomatas para avançar em seu objetivo de reverter o progresso histórico entre os Estados Unidos e Cuba.

Retirar os servidores públicos cubanos não garantirá a segurança dos estadounidenses, somente nos levará para atrás e colocará em perigo a restauração dos laços entre nossos dois países, estimou a representante.

De acordo com Lee, ainda que a administração adira-se às táticas do passado, os membros do Congresso seguirão trabalhando para perseguir a diplomacia, expandir o comércio e fortalecer os laços entre ambos os povos.

Na sexta-feira passada, depois de conhecer-se a decisão sobre a embaixada em Havana, a representante democrata Kathy Castor expressou sua inquietude pelo impacto da suspensão indefinida do processamento de visa estadunidenses na capital cubana.

Segundo Castor, preocupa-lhe que o anúncio vá demasiado longe e prejudique desnecessariamente a capacidade das famílias cubanas e estadounidenses de viajar e ver a seus seres queridos.

‘O Departamento de Estado deve desenvolver rapidamente planos de contingencia para continuar permitindo às famílias viajar desde a ilha. Muitos de meus vizinhos que estiveram esperando a oportunidade de reconectar-se com seus seres queridos enfrentam barreiras desnecessárias e desgarradoras’, manifestou.

A legisladora voltou a esse tema a raiz das notícias desta terça-feira, ao declarar em sua conta do Twitter que a questão tem criado incerteza entre as famílias cubanas a ambos os lados do estreito da Flórida.

Um trabalho da agência Associated Press publicado nesta quarta-feira pelo diário The Washington Post indica que a maioria dos diplomatas em Havana não queria ser marchado, e que boa parte do pessoal do Departamento de Estado também se opunha a tal opção.

A saída da capital cubana foi recusada ademais pela Associação Estadunidense do Serviço Exterior, cuja presidenta, Barbara Stephenson, disse desconhecer a causa dos problemas de saúde divulgados na ilha, mas considerou que não justificavam uma retirada a grande escala.

No meio dos recentes acontecimentos, os olhares não deixam de se dirigir para legisladores como o senador republicano Marco Rubio, opositor acérrimo do processo de normalização de relações bilaterais e quem exigiu o fechamento da embaixada em Havana.

A ex-chefe da Seção norte-americana de Interesses na ilha Vicki Huddleston escreveu no Twitter que as boas relações entre estes países vão no interesse nacional de Estados Unidos, enquanto as más respondem à obsessão de Rubio com Cuba.

Com esse critério coincidem muitas vozes que apostam pela aproximação entre as duas nações.

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