Momentos de alegria em Havana para os amadores da sétima arte

O Festival Internacional de Cinema de Havana preparou uma interessante programação para sua 39ª edição que no dizer de seu presidente, Iván Giroud, é de alto nível e mostra um salto de qualidade na produção latino-americana.

Na sala Taganana, do Hotel Nacional de Cuba, sede tradicional do encontro, Giroud ofereceu alguns dados para ter ideia do que acontecerá de 8 a 17 de dezembro próximo, um avanço do programa proposto pela curadoria do Festival.

Durante esses intensos dias serão exibidos, em dez salas da capital cubana, 404 filmes, deles 308 latino-americanos, sendo as cinematografias mais representadas a argentina (65), mexicana (50), cubana (43), brasileira (41), chilena (32) e a colombiana (21) e dos Estados Unidos, Espanha, França, Alemanha, Grã-Bretanha, serão projetados 96 filmes.

Do coração do Festival, o concurso pelo Prêmio Coral, Giroud apontou que neste ano concorrerão 19 longas-metragens de ficção; 18 obras-primas; 23 documentários; 18 curtas e médias-metragens; 16 animações; 20 roteiros inéditos e 24 pôsteres.

Os longas de ficção, a joia da coroa em todos os festivais que existem no mundo, terão como presidente do júri Felipe Cazals, que a seus 80 anos e mais de 40 trabalhos fílmicos, é um dos cineastas mexicanos mais reconhecidos em nível internacional. Seu filme Canoa (1976) será exibido na seção Clássicos Restaurados.

Neste ano, 13 filmes latino-americanos foram indicados para optar pelo Oscar 2018 na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira e deles estarão concorrendo em Havana o argentino Zama, de Lucrecia Martel; o chileno Una mujer fantástica, de Sebastián Leilo, e o dominicano Carpinteros, de José María Cabra.

Giroud anunciou que o longa-metragem brasileiro O filme da minha vida, de Selton Mello (na concorrência pelo Coral) abrirá o encontro, em 8 de dezembro, no teatro Karl Marx, e foi «escolhido porque o tema incita a uma comunicação com o público, em uma sala de 5 mil poltronas».

Protagonizado por Johnny Massaro, no papel de Tony Terranova, o longa-metragem se ambienta no sul do Brasil da década de 1960 e é baseado no livro Um pai de cinema, do chileno Antonio Skármeta.

Durante a gala inaugural será entregue um Coral de Honra ao diretor brasileiro Carlos Diegues, fundador do Cinema Novo, e quem participou de várias edições do Festival com filmes como Bye Bye Brasil e Orfeu.

Muitas são as vertentes por onde andará o Festival, com uma interessante programação, um leque de países, estilos, gerações.

O filme de Selton Mello inaugura o Festival de Cinema de Havana. Photo: imdb.com

Será um momento a ser aplaudido a homenagem que o encontro de Havana prestará ao diretor norte-americano James Ivory, com uma mostra de nove de seus filmes.

Acerca de Ivory a crítica diz que manteve a chama do cinema clássico, esse cuidado das personagens, de uma encenação impoluta e uma realização livre de exibicionismo, tudo ao serviço de histórias que misturam os sentimentos cm temas históricos, políticos ou sociais.

Entre os filmes de Ivory que veremos novamente — mas desta vez apresentados por ele mesmo —, estão os multipremiados Vestígios do dia e A condessa branca (ambos com roteiro do escritor japonês de nacionalidade inglesa Kazuo Ishiguro, Prêmio Nobel de Literatura 2017).

O presidente do Festival afirmou que neste ano não poderia esquecer-se o Centenário da Revolução de Outubro, pelo fato histórico e por seu cinema, e para isso será projetada uma cópia restaurada de Outubro, filme mudo do mestre russo Serguei Eisenstein ,estreado em 1928 e considerado um clássico da sétima arte.

Giroud comentou que o filme que será exibido é uma versão restaurada em 2012 pelo Museu de Munique, de quase duas horas, e dele destacou que esta cópia inclui a trilha sonora original criada pelo compositor e diretor de orquestra austríaco Edmund Meisel.

Da já mencionada seção Clássicos Restaurados, iniciada em 2016 pelo Festival, haverá a possibilidade de ver Lucía, o filme de Humberto Solás. Uma restauração — afirmou Giroud — que descobre outras dimensões do filme.

A versão restaurada de Lucía teve sua primeira exibição na seção Cannes Classics 2017, um espaço dedicado aos grandes clássicos. No ano passado, Cannes exibiu Memórias do subdesenvolvimento, dirigida por Tomás Gutiérrez Alea. Ambos os filmes, terminados em 1968, são considerados pela crítica obras-primas incontestáveis do cinema cubano e latino-americano.

Nesta seção, «que tem a importância de resgatar o cinema em vida, que volta a se ver, a se apreciar, sobretudo pelas novas gerações» também serão projetadas Sur, do argentino Fernando Pino Solanas; Três tristes tigres (baseado na obra de teatro homônima de Alejandro Sieveking), do chileno Raúl Ruiz; Tempo de Morrer, do mexicano Arturo Ripstein; Se permuta, do cubano Juan Carlos Tabío; e Canoa e Los motivos de Luz, de Felipe Cazals.

Quase começando o 39º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano de Havana, o encontro anual mais esperado pelos cinéfilos cubanos e visitantes, a pergunta mais constante é:

Quais filmes escolher?, pois naturalmente é impossível ver mais de 400 filmes em dez dias.

Fonte: Granma

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